SAÚDE & BEM ESTAR

 Correspondente do Brasil:

Quando os pais se separam...

Por Prof. Elias Cima, Psicólogo Naturalista

Departamento de Pesquisas da Fundação Cima's

O número de casais separados ou divorciados vem aumentando a cada dia e com isso é grande o número de crianças que vivem numa situação precária psicologicamente. A situação agrava-se pelo facto da convivência familiar ter mudado com os tempos. Numa era onde a mulher partilha de todos as direitos dos homens, é mais que comum a inversão dos papéis dentro de casa, onde o homem assume com sucesso as responsabilidades de cuidar, amparar, dialogar e conviver com os filhos; e muitas vezes a mulher assume grande parte dos deveres financeiros da residência. Porém, o mais comum é ter uma família mais unida, onde não são ostensivos os respeitos hierárquicos e sim uma maior afinidade e amizade entre todos.

O cuidado dentro deste novo tipo de relação familiar é a colocação de limites para os filhos e, principalmente, para os pais. A criança passa a ser mais aberta, a ter absoluta confiança nos pais e mais responsabilidades. Geralmente passa parte do dia sozinha em casa enquanto os pais estão a trabalhar. O homem tende a aproximar-se mais dos filhos, a sair, divertir e distrair-se com eles, pois acha neles um amigo e um forte apoio contra o estresse do dia a dia. A mulher geralmente adopta uma rotina diária que engloba desde exercícios, trabalho, até mesmo um hobby.

 

A separação

 

Após a separação do casal, a criança passa a ser peça a "peça do jogo". Entre disputas, acções, discussões — até nos casos mais amigáveis — não se vê o lado da criança, obrigando-a a passar por esta primeira fase como uma marionete.

"As crianças quase sempre ficam com as mães que, geralmente, ganham menos que os pais. Os lares dessas crianças, que viviam de duas rendas, passam, muitas vezes, a sobreviver com meia. É uma fase terrível, já que a criança, que nos primeiros anos tem de se acostumar a tudo na vida, passa também a enfrentar o empobrecimento de seu lar. Se estava acostumada, por exemplo, a ter dois carros e, do dia para a noite, não tem nenhum sendo deprimente para uma criança ver, por exemplo, os móveis da sua casa se deteriorarem ", diz a Psiquiatra e Psicoterapeuta da Infância e do Adolescente, Marluce de Souza Pedro. Também, a nova estrutura do pai e da mãe compromete muito mais tempo que antes; ambos precisam cuidar de residências, trabalho e vida particular.

Muitas das vezes, a convivência entre filhos e pai é cortada de maneira brusca, gerando questionamentos internos e na maioria das vezes sem respostas, pois por vezes a genitora não concorda que o filho precisa de acompanhamento psicológico. O erro é deplorável. "Após a separação, a criança vive a sensação de abandono. Passa a ter hora marcada para ver o pai, que, antes, estava o tempo todo presente", diz Marluce.

 

Soluções simples

 

A melhor maneira de se tratar a pós-separação seria manter o mesmo clima e maneira de ser, só que separados. Isso talvez seria possível em alguns casos, todavia não há porque omitir o tratamento merecido, o amor e o carinho com os filhos; e muito menos colocá-los em situação de escudo ou trunfo. A criança tem o direito de ser feliz, não importa o local, companhia ou situação dos pais.

A princípio, deve-se pôr de lado os motivos da separação e pensar nos filhos; por obrigação, tomar decisões baseadas no bem-estar, segurança e saúde dos menores; nunca cortar a convivência do filho com o cônjuge não detentor da guarda; e estipular um acordo de guarda, pensão e educação sem autoritarismo.

 

Guarda compartilhada

 

"A guarda compartilhada promove um corte epistemológico no sistema vigente de guarda única, exclusiva, promovendo um maior contacto dos filhos com ambos os pais após a ruptura do casal conjugal, beneficiando a criança com um relacionamento mais íntimo entre ela e ambos os pais, menos expondo a mãe às opressivas responsabilidades do cuidado único e a liberando para buscar outros objectivos de vida." Diz Waldyr Grisard Filho, colaborador da APASE.

Com essa modalidade de guarda a criança passa tempos iguais com o pai e a mãe, acabando com as, apenas, visitas quinzenais a que os pais tinham direito.

"Em família, aprende a sentir emoções e a se comunicar. É daí que partirá para uma rede social mais ampla. Se a criança não tem segurança dentro de casa, criará dificuldades de relacionamento que atrapalharão as suas futuras relações. Ela crescerá com dificuldade para criar intimidade com outras pessoas", completa Marluce.

No Brasil, este tipo de guarda ainda não está incorporada na legislação, mas há projectos de começar a vigorar já a partir de 2003. A Associação de Pais para Sempre (www.apase.com.br /www.paisparasemprebrasil.org) possui um grande acervo sobre o tema.

No entanto, o novo código civil brasileiro já dá igualdade de condições para os cônjuges dando primazia à guarda para aquele que tem melhores condições de cuidar da criança, seja em nível moral ou financeiro. (Daniel Mendes).

A Fundação Cima's não tem fins lucrativos e mantém um serviço de consultas gratuitas por email: prof@especial.com.br

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