Tribuna da Imprensa on line - 15/04/2002 - Rio de Janeiro - RJ

 

Filho com mulher é uma regalia com dias contados

Leandro Jabour

 

A tendência dos juízes de conceder a guarda dos filhos de pais separados às mães - 95% dos casos, segundo o IBGE - está com os dias contados. Com o apoio da Associação Pais pra Sempre e da Associação dos Pais Separados do Brasil (Apase), o deputado federal Tilden Santiago (PT-MG) apresentou o Projeto de Lei nº 6.350/02, que estabelece a guarda compartilhada.

A guarda compartilhada, que se opõe à guarda única, estabelece a possibilidade de os filhos de pais separados serem assistidos pelos dois. Nela, os pais têm efetiva e equivalente autoridade legal para tomar decisões importantes quanto ao bem-estar de seus filhos.

Para o deputado, o projeto é muito simples em forma e conteúdo. Além de ter um caráter didático e pedagógico, ele mostra aos pais que os filhos estão sempre em primeiro lugar e não devem ser privados de ver ou visitar um deles. "A essência da guarda compartilhada está em se respeitar a responsabilidade dos pais. Quero frisar que o projeto trata de questões essenciais, como educação, lazer e assistência médica dos filhos", disse Tilden, que é separado, tem três filhos e pratica a guarda compartilhada com sua ex-mulher.

Outro problema bastante freqüente enfrentado pelos pais é o que eles chamam de a "ditadura das mães". Muitos deles encontram dificuldades de visitar as crianças e acabam tendo que entrar na Justiça por causa da resistência de algumas delas. O engenheiro William Maia, presidente da Apase-Rio, sabe muito bem o que é ficar sem ver o filho por causa dos obstáculos criados por sua ex-mulher.

"Sou separado e, no início do divórcio, encontrava meu filho, Lucas, de nove anos, três vezes por semana. Agora, só o vejo de 15 em 15 dias. A meu ver, algumas mães pedem a guarda dos filhos como forma de punir os pais", lamentou.

Para o presidente da Apase Brasil, Carlos Roberto Bonato, essa exclusividade das mães é também um fator cultural que perdura há tempos na sociedade brasileira, na medida em que identifica a mulher como a mais adequada para criar seu filho.

"Esquecem-se que os tempos são outros e as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho. Hoje, tanto o homem quanto a mulher trabalham e ambos têm habilidades domésticas". Bonato ressaltou ainda que a verdadeira intenção do projeto é que a criança deixe de se tornar um objeto de posse. "O foco é o direito de os filhos verem os pais na hora em que quiserem e só a guarda compartilhada pode resolver esse problema", concluiu.

Presidente da Pais pra Sempre, Rodrigo Dias concorda com Carlos Bonato. Ele afirma que, os juízes, ao concederam a guarda às mulheres, estão agindo como se elas ainda estivessem no Século XX. "É um absurdo o que estão fazendo com o sexo feminino; o Judiciário considera a mulher como se ela tivesse tempo só para cuidar dos filhos, o que é uma injustiça", lamentou.

Ele ainda fez um alerta para a importância de um filho estar sempre perto dos seu genitores. "As crianças estão crescendo, pensando na facilidade de ter um pai de fim de semana. Eles estão tendo uma imagem distorcida da figura de um pai", comentou.

Rodrigo Dias informou que os próximos passos da Apase e da Associação Pais pra Sempre será pedir uma audiência com o presidente da Câmara, Aécio Neves, e com o presidente da OAB, Rubens Aprobato. Dias espera receber ainda o apoio de todas as igrejas, incluindo a católica, além de promover debates, seminários e encontros sobre a questão. "Estamos fazendo isso para acabar com esse sofrimento e tentar informar e mobilizar a população para a luta pela guarda compartilhada", concluiu.

 

Confira aqui a notícia:

http://www.tribunadaimprensa.com.br/anteriores/2002/abril/15/

 

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