Jornal Notícia Agora – Vitória – ES – 17/07/2002

PAIS LUTAM POR DIREITOS IGUAIS
Associação é criada para quer homens tenham as mesmas responsabilidades que as mães na educação dos filhos.

Fernanda Dalmácio 

A separação do casal sempre envolve conflitos. Mas a principal discussão é com quem os filhos devem ficar. No Brasil, por aspectos culturais e legais, a mãe acaba levando vantagem na hora da decisão sobre a guarda das crianças.

Pensando no lado paterno, foi criada a Associação de Pais e Mães Separados (Apase), que defende a idéia de que filhos de pais divorciados têm o direito de ser criados pelo pai ou pela mãe e promove a participação de ambos no desenvolvimento das crianças.

No Espírito Santo, a Apase foi criada há três meses. O representante da associação no Estado, Marcos Antônio de Almeida silva – que tem um casal de filhos -, lembra que, culturalmente, a educação dos filhos sempre ficou a cargo das mães.

“A Constituição de 1988 declarou que homens e mulheres são iguais perante a Lei. No entanto, em relação aos filhos, essa igualdade ainda não atingiu os homens”, destaca.

Ele também ressalta que o novo Código Civil – aprovado em janeiro e que entra em vigor no que vem – determina que os filhos fiquem com quem tem melhores condições para criá-los.

De acordo com o representante, um projeto sobre a “guarda compartilhada” está  esperando aprovação no Congresso Nacional. Nesse caso, os pais terão as mesmas oportunidades de participarem das decisões da vida da criança. “Pai e mãe terão responsabilidades iguais na educação e na criação dos filhos, sem excluir um dos cônjuges”, explica.

 

AMPUTAÇÃO

 

Marcos Antônio afirma que a falta de convivência com os filhos é como uma “amputação”. “Eles são o sentido da minha existência. Abrir mão deles é como uma amputação. Ficar sem eles é não acompanhar o seu desenvolvimento; é desorientar a minha vida.”

Ele acredita que não existe relação sem conflitos, mas o casal precisa ter mais maturidade na hora de tomar decisões importantes, como a que trata da guarda das crianças.

A Apase não tem uma sede própria nem realiza encontros periódicos. Os pais se comunicam entre si por meio de correio eletrônico e telefonemas. Informações pelo telefone 3071-1061 ou pelo site www.apase.com.br

 

GUARDA DE FILHOS GERA POLÊMICA DURANTE O DIVÓRCIO

 

Divorciado há quatro anos, o representante da Apase no Espírito Santo, Marcos Antônio de Almeida Silva, tem um casal de filhos. Acordos com a ex-esposa fizeram com que ele conseguisse aumentar o tempo de convivência com as crianças.

Atualmente, ele almoça com os filhos todas as terças e quintas; a cada 15 dias, passa o final de semana com eles – e os pega na sexta-feira, e não mais no sábado – e fica com as crianças em feriados alternados.

De acordo com a advogada Ivone Vilanova, especialista em Vara da Família, entrar em um acordo amigável é difícil e a disputa pelos filhos acaba sendo uma das principais discussões durante o processo de divórcio. “Muitos pais só querem saber sobre o pagamento da pensão e se esquecem do bem estar das crianças”.

Para ela, apesar da aprovação do novo Código Civil, os juízes ainda devem considerar vários aspectos na hora de decidir com quem as crianças devem ficar, entre eles se o filho ainda está sendo amamentado (nesse caso deve ficar com a mãe).

Além disso, se a criança já tiver capacidade de discernir e entender a situação, ela deverá ser consultada e poderá escolher com quem deseja ficar.

 

 

 

Representante da Apase no Estado, Marcos Antônio diz que ficar sem os filhos é como “perder o sentido da vida”.

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