Jornal "Correio Brasiliense" - Brasília-DF - 11/08/2002

Família Brasileira

DE PAI PARA FILHO

Renato Ferreira

38 anos, programador de informática

 

Aos 20 anos de idade, depois de seis meses de namoro, Renato Ferreira descobriu que seria pai. Durante um ano e meio, ele cuidou do filho com disposição. Mas o relacionamento com a mulher terminou, e de forma pouco amigável. O pai passou a ver o filho de 15 em 15 dias, nos fins de semana. Para Renato, a descoberta de que seria afastado do menino foi recebida com frustração. ‘‘Nas visitas de fim de semana, era como se meu filho fosse uma fita de vídeo que eu estava alugando. Eu tinha hora certa para devolver, não podia atrasar’’, compara. Os domingos à noite, depois que o filho voltava para casa, eram momentos de depressão. ‘‘Nas manhãs de segunda-feira, eu mal tinha vontade de acordar e continuar vivendo.’’ Hoje, o filho tem 18 anos. Renato, que trabalha como programador de computadores, tenta reconstruir a intimidade. ‘‘Sinto que perdi muito. Agora, espero pelos meus netos.’’

 

Hebert Ribeiro

26 anos, pedagogo

 

Há cinco meses, o pedagogo Hebert Lobo Ribeiro, 26, cumpre a mesma rotina. A cada 15 dias, prepara-se para fazer uma viagem matinal de carro de Brasília a Anápolis (GO). São 150km de distância. O objetivo é visitar o filho de 1 ano e 9 meses, que vive com a mãe desde que nasceu. Hebert faz de tudo para não se distanciar do menino depois do fim do relacionamento amoroso. Mesmo com a mudança de endereço da mãe. ‘‘O amor do casal termina, mas por que o pai tem de ser afastado do filho?’’, pergunta. Quando está trabalhando em escolas, ele lida todos os dias com crianças de várias faixas etárias. ‘‘Vivo cheio de crianças à minha volta, mas não tenho a minha’’, lamenta. No Dia dos Pais, que não coincide com o dia de visitas, Hebert e o filho não se encontrarão.

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