Jornal O Globo - RJ - Edição de 12 de abril de 2003

Empresário baiano paga dívida de aposentada
Tulio Muniz
FORTALEZA

Depois de passar dois dias numa cela da Delegacia de Capturas de Fortaleza e outros dois dias em prisão domiciliar por não ter dinheiro para pagar a pensão da neta, a viúva e aposentada Maria Antersile Santana, de 72 anos, já pode respirar mais tranqüila. Albertino Costa, um pequeno empresário de Salvador, depositou ontem R$ 636 na conta de Maria, valor da dívida que levou a Justiça a decretar a prisão da aposentada na segunda-feira, dia 8.

— Fiquei com pena porque ela disse que não tem como pagar e sei que nesse caso a Justiça só solta quando a dívida é paga — disse Costa, que também é funcionário público aposentado.

Assim, Maria foi liberada da prisão domiciliar, mas terá que continuar a pagar a pensão da neta. Caso contrário, volta para trás das grades.

— Ele é uma pessoa de bom coração. Mas só quero me ver livre dessa situação — disse a aposentada.

Ela foi condenada a pagar a pensão alimentícia dos meses de março, abril e maio de 2002 à neta Jeane, de 14 anos, que vive com a mãe no interior de Santa Catarina. O pai da menina e filho de Maria, Francisco Rosemberg Santana, vive no Rio e não foi encontrado pela polícia. A Justiça entendeu que, nesse caso, a dívida era responsabilidade da avó.

 

Idosa vende sanduíche para complementar a renda

 

A defesa de Maria vai alegar que ela não tem como arcar com a pensão da neta porque recebe apenas R$ 915 da pensão deixada pelo marido militar. Para complementar a renda, a aposentada vende sanduíches na Praia do Futuro, na capital cearense.

— É uma situação difícil porque ela tem que sustentar a si própria e aos pais, de 95 e 93 anos, que não podem sobreviver sozinhos — disse a advogada da aposentada, Daniele Ximenes.

Maria só saiu da cadeia porque o próprio delegado, Wilder Brito, pediu a prisão domiciliar e foi atendido pela 16 Vara de Justiça. Apesar de ter permanecido em casa durante dois dias por causa da prisão domiciliar, ela não chegou a ser vigiada pela polícia.

 

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