Diário de Marília, edição de 14/09/2003

Pais querem guarda compartilhada

Paulo Cansini
Edmilson Almeida e Alexandre Nunes lutam pela guarda compartilhada das filhas
Em casos de separação do casal a maioria da guarda dos filhos fica com a mãe. Pais têm direito a visita e obrigações determinadas conforme o caso de cada um. Nos últimos anos pais e mães separados entraram numa outra discussão, a guarda compartilhada, ou seja ambos tem os mesmos direitos e deveres, podem estar com as crianças a qualquer momento e quando for necessário.

Em Marília, o jornalista Edmilson Braos Almeida, 31, decidiu fundar uma representação da Apase (Associação de pais e mães separados), criada em 1997 em Florianópolis. Separado há seis anos e com uma filha de 8 anos de idade, ele conta que a entidade tem por objetivo discutir os problemas enfrentados por esta parcela da população.

A idéia surgiu depois de muitos entraves e dificuldades em conviver com a filha, em função de empecilhos colocados pela ex-esposa. Descobriu a Apase pela internet e decidiu que poderia ajudar outros pais e mães que se encontram na mesma situação.

Há pouco mais de dois meses, Edmilson conheceu vários casos. Ele cita até pais que chegaram a ser denunciados por sequestro do filho, apesar de ter em mãos o documento que lhe dá direito à visita aos domingos; casos de abuso dos ex, que não permitem a visita ou as férias e chegam a "esconder" o filho ou dar desculpas de problemas de saúde para não liberar a visita programada.

Edmilson conta que em um dos dias que foi impedido de pegar a filha, acabou sainda pelas ruas, bosque, praças para localizar pais que passam pela mesma situação. "A idéia é conseguirmos a guarda compartilhada. Não estamos sós. Tem muita gente enfrentando este problema. Com a Apase podemos conseguir uma sustentação jurídica e até psicológica", explicou.

O funcionário público Alexandro Rodrigues Nunes, 28, também se separou há 6 anos e tem uma filha de 8 anos do primeiro casamento. Com a segunda esposa tem outra filha de 3 anos. Ele reclama que a ex-mulher mora em São Paulo e dificulta as visitas mensais à filha. "Não é só cumprir as obrigações de pai, queremos conviver com a menina, a irmã tem saudades dela", lamenta.

Eles reforçam a idéia de que não existem ex-filhos e sim ex-marido e ex-esposa, por isso querem os mesmos direitos. Mais informações sobre a representação da Apase em Marília podem ser obtidas pelo e-mail edbraos@flash.tv.br ou pelo telefone 9703-1219 e 422-3529.

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