PAIS TAMBÉM SÃO PARA SEMPRE

 

Já faz muito tempo que as mulheres foram à luta e romperam inúmeros preconceitos sociais. As mulheres conquistaram o mercado de trabalho e não querem nem saber das velhas funções, como cuidar da casa, lavar e passar. Muitas, contudo, assumem várias jornadas. Trabalham, cuidam da casa e dos filhos, continuam suas formações acadêmicas, militam politicamente e, não se sabe como, algumas ainda freqüentam academias de ginástica e salões de beleza. Mas os tempos modernos não vieram só para as mulheres.

O sexo masculino também passou por mudanças e muitas, fruto da própria exigência feminina.  Atualmente é comum toparmos com homens que também fazem tudo isso. Em muitas famílias, não é raro caso de mulheres executivas, com inúmeros compromissos profissionais e que acabam com menos tempo para os filhos que o pai. É o pai então que vai à creche, à escola, ao fogão, às fraldas. Há casos também em que o pai faz questão de fazer tudo isso mesmo sendo tão atribulado quando a mãe. São sinais dos tempos e bons sinais.

E OS MAUS SINAIS? – são esses homens, mais sensíveis, educados e solidários (como as mulheres pediam, lembram?) que, no caso de separação conjugal, não aceitam mais também o velho papel do “pai de fim de semana”. Não aceitam que, de pais, sejam transformados em meros visitantes. O pior é que, para conseguirem a guarda dos filhos, muitas mulheres inventam atrocidades contra os pais. Em muitos casos, chegam a inventar que o pai abusa sexualmente dos filhos. São os maus sinais tos tempos.

Quando estão com a guarda, os absurdos continuam. Muitas mães dificultam os horários de visitas, proíbem passeios em horários que não foram definidos, preferem deixar que vans ou kombis levem os filhos à escola mesmo que o pai esteja disponível e quando viajam, deixam os filhos com os padrastos ou empregadas mesmo se o pai implorar para que o filho fique com ele. Em alguns casos, se mudam para outro país e o pai que se vire. Para enfrentar tudo isso, existem movimentos de pais que exigem a participação igualitária na educação dos filhos. São pais que integram associações como Movimento Guarda Compartilhada Já!, Associação de Pais e Mães Separados (Apase), Associação Pais para Sempre, Pai Legal e outras. Foi a pressão desses movimentos que acabou gerando três Projetos de Lei que tramitam no Congresso para incluir no Código Civil o conceito chamado de “guarda compartilhada”.

PAIS PETROLEIROS NESSA LUTA – o petroleiro Mário Figueiredo Ferreira, de 46 anos, é um árduo defensor da guarda compartilhada. Separado desde junho, ele é pai de um menino de 8 anos e luta na justiça para ter o direito de continuar sendo pai “Nossa luta não é contra a mulher, nem contra a mãe. Nossa luta é para que os filhos não percam a referência do pai, queremos continuar ajudando, educando, influenciando a vida de nossos filhos. Não precisamos ser desmoralizados por isso. Nós também amamos. Eu amo meu filho e não quero ficar longe dele”, diz Mário. Mário garante que nada na lei diz que a guarda deve ser da mãe. “Mas a justiça protege a mulher e eu acho que a mulher precisou disso sim para se defender, mas os abusos é que não podem ocorrer, nem a crueldade”.  Para ele, a “boca torta do cachimbo” atualmente é o que define que a guarda fique só com a mãe. “Os advogados também são preguiçosos e não olham caso por caso, saem aplicando “jurisprudência”, adverte”.

 

TODA QUINTA NA BITOCA – Mário descobriu que não era o único na Petrobrás nessa situação, pelo contrário, muitos petroleiros atualmente lutam pelo direito de serem pais. E é na Bitoca (uma lanchonete em frente ao Edise) que, toda quinta-feira, esses pais se reúnem às 17h30. Eles discutem casos, ações, planejam passeios com os filhos e dividem informações. No próximo domingo, dia 4 de abril, Mário e seus companheiros já combinaram de ir ao Tijuca Tênis Clube, às 12h, para um jogo de basquete. Na arquibancada, eles vão abrir uma faixa dizendo que amam os filhos e divulgando a luta pela guarda compartilhada.

 

Fonte: Jornal Surgente, editado pelo Sindipetro – Sindicato dos Petroleiros, edição de 1 a 7 de abril de 2004.

 

VOLTAR