FILHOS DO DIVÓRCIO

Revista Época - Edição número 349 - 24/01/2005

Quando a separação não é um trauma

Novos estudos mostram que o divórcio não prejudica as crianças - ao contrário, em alguns pontos chega a ajudar
Martha Mendonça

Com quem será/com quem será/que o fulano vai casar/vai depender se a fulana vai querer/Ela aceitou/ela aceitou/teve muitos filhos/e depois se separou. A tradicional brincadeira após o parabéns ganhou uma estrofe nova nas festas infantis, embalada por vozes de crianças que se divertem com um tema tão presente, direta ou indiretamente, em suas vidas. A cada ano, 200 mil crianças vêem seus pais se separar nas regiões metropolitanas do Brasil. Mas isso é ruim?Há cinco anos a socióloga americana Judith Wallerstein ganhou manchetes de jornais e revistas anunciando que filhos de pais divorciados tinham mais problemas emocionais, menor rendimento escolar e pior auto-estima que os filhos de casais ''estáveis''. Não era apenas um palpite: ela acompanhou por 19 anos um grupo de famílias de classe média. Sua conclusão era de que os casais deveriam lutar para se manter juntos, pelo bem-estar das crianças. O que poucos se deram ao trabalho de noticiar é que, nos anos seguintes, o estudo de Wallerstein foi detonado pela comunidade científica, que apontou uma série de falhas - e trouxe à tona trabalhos mostrando um quadro diferente. Sobre o livro de Wallerstein, descobriu-se que as 131 crianças estudadas vinham de um único condado da Califórnia, filhos de casais problemáticos, recrutados com a promessa de terapia gratuita. Metade dos pais e mães do estudo tinha problemas psiquiátricos, dos quais 20% eram considerados ''severos'', que resultavam em passagens policiais e tentativas de suicídio. Cerca de 30% dos casais haviam sido obrigados a subir ao altar por causa de uma gravidez inesperada, e metade das mães era desempregada crônica, do tipo condenado a viver do seguro-desemprego. Um em cada quatro maridos batia na mulher diante dos filhos. Nesse contexto, dizer que os problemas das crianças vinham do divórcio é, no mínimo, um exagero.

Após o estudo de Wallerstein, surgiram outros tantos com conclusões opostas. A socióloga Constance Ahrons, de Wisconsin, acompanhou por 20 anos um grupo de 173 filhos de divorciados. Ao atingir a idade adulta, o índice de problemas emocionais entre esse grupo era equivalente ao dos filhos de pais casados. Mas Ahrons observou que eles ''emergiam mais fortes e mais amadurecidos que a média, apesar - ou talvez por causa - dos divórcios e recasamentos de seus pais''.

Ahrons foi criticada por motivos opostos aos de Wallerstein (o grupo seria muito ''classe média'', o índice de alcoolismo na amostra era menor que o padrão na população americana). Mas outros trabalhos apontaram para conclusões semelhantes. Dave Riley, professor da universidade de Madison, dividiu os grupos de divorciados em dois: os que se tratavam civilizadamente e os que viviam em conflito. Os filhos dos primeiros iam bem na escola e eram tão saudáveis emocionalmente quanto os filhos de casais ''estáveis''. Os do segundo grupo tinham mais problemas, mas em proporção semelhante à dos filhos de pais casados que viviam brigando. Segundo ele, são cinco os fatores que podem prejudicar as crianças do divórcio:

- Se o pai ou a mãe ''desaparece'' após a separação.

- Se as crianças passam por dificuldades econômicas.

- Se o número de irmãos é muito grande (fica mais difícil cuidar de todos).

- Se o adulto que tem a guarda ou algum dos filhos sofre de depressão prolongada.

- Se o divórcio faz a criança se afastar de sua rede de amigos e parentes - por exemplo, mudando de cidade.


ALEGRIA, ALEGRIA - Marco Antônio e Gabriel: pais separados, os meninos são ativos, saudáveis e carinhosos. Graças à presença da mãe e do pai, Marcelo, que mudou de cidade para ficar mais perto


ROTINA MANTIDA - Matheus e Gustavo se alternam entre a casa do pai , Evandro, e a casa da mãe, Patrícia, que são amigos, moram perto e compartilham até a empregada para dar equilíbrio aos filhos.  

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Os problemas dos filhos nascem do conflito, não do divórcio

Segundo o IBGE, houve mais de 126 mil separações oficiais em 2002, três vezes mais que a média da década de 70

Uma família unida é o ideal para uma criança, mas é possível apontar pontos positivos para os filhos de separados. ''Eles amadurecem mais cedo, o que de certa forma é bom, num mundo que nos empurra para uma eterna dependência. Na classe média, com novos casamentos, há uma ampliação das figuras próximas, padrastos, madrastas. Quando eles mantêm um relacionamento saudável com a criança, promovem um aumento de sua auto-estima e segurança. Sem falar que oferecem experiência de vida diversas, importantes na formação pessoal'', explica o psicólogo Bernardo Jablonski, da PUC do Rio de Janeiro. ''Eles também aprendem mais cedo a negociar, barganhar. E desenvolvem grande poder de adaptação a novas realidades, mais do que muitos adultos.'' A psicóloga Maria Teresa Maldonado observa que essas crianças têm uma vantagem, que é a de raramente ser superprotegidas. ''O tempo passado com os pais separados, por ser menor, tende a ganhar em qualidade'', diz. Para a terapeuta infantil Vitória Duarte Pereira, quem não tem mais os pais casados experimenta mais cedo o poder de escolher. ''Aprender a optar é uma das coisas mais importantes e também mais difíceis para o ser humano. Essas crianças aprendem o que é isso precocemente, o que pode ser útil no futuro'', diz.

Os irmãos catarinenses Matheus, de 11 anos, e Gustavo, de 8, são bom exemplo: são doces, inteligentes, ótimos alunos. Entre os colegas em Florianópolis, mostram-se extrovertidos, líderes, criativos. Seus pais, o psicólogo Evandro Luiz Silva e a administradora de empresas Patrícia, separaram-se há quatro anos, mas trataram de não fazer disso um trauma na vida dos filhos. Um novo apartamento para Evandro foi procurado com a ajuda dos garotos, a empregada passou a trabalhar nas duas casas e a própria Patrícia ajudou na organização. Matheus fala do vai-e-vem com naturalidade: ''Não sinto tristeza por ter os pais separados. Meu pai e minha mãe brincam mais comigo do que antes'', admite. Evandro acredita que os filhos são maduros para a idade. ''São capazes de conversar sobre tudo'', diz.

A carioca Helena Patti, de 15 anos, também derruba os mitos em torno dos supostos problemas dos filhos de pais separados e se mostra responsável e com alta capacidade de compreensão do mundo. No 1o ano do ensino médio ela sempre teve notas altas e é uma das primeiras alunas do Colégio Saint John, na Barra da Tijuca. ''Helena é bem resolvida, sabe negociar dentro e fora de casa'', diz sua mãe, a professora Daniela Patti. A adolescente afirma que nunca se sentiu diferente. ''Metade dos meus amigos tem pais separados, são duas realidades possíveis'', diz. A idéia de que uma separação bem administrada, aliada à manutenção da convivência com os pais, não só não prejudica o bem-estar dos filhos, como lhes confere algumas vantagens, cresce entre psicólogos e terapeutas familiares.

Para a educadora Tania Zagury, autora de best-sellers como Limites sem Trauma e Os Direitos dos Pais, um dado importante na vida dos filhos de divorciados são as regras diferentes na casa do pai e na da mãe. ''É um aprendizado importante para que se tornem adultos capazes de enfrentar o mundo'', diz. Se na casa da mãe comem biscoito no sofá, pode acontecer de o pai não deixar. Se no apartamento do pai dormem tarde, têm de aceitar que a mãe os coloque na cama às 10 horas. ''Essas situações acabam sendo uma boa escola de adaptação a regras sociais e confronto com a adversidade'', diz Eliane Nazareth, terapeuta de família e pioneira na atuação como mediadora na Justiça de São Paulo.


ALUNA NOTA 10 - Helena, filha de pais separados, é a primeira aluna da sala e se destaca pela liderança. "Nunca me senti diferente. Metade dos meus amigos não tem mais os pais casados", diz. 


CASAMENTO, SIM! Apesar de ter os pais separados desde criança, Renata Cunha continuou acreditando que é possível ser feliz a dois. Está casada e tem um filho de 5 anos.

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Na contramão dos EUA e da Europa, em 91% dos casos de separação no Brasil a guarda das crianças é exclusiva da mãe

Nas separações oficiais no Brasil, todo ano cerca de 200 mil filhos (crianças, na maioria)vivenciam o fim do casamento dos pais

Um dos elementos mais decisivos para o bem-estar dos filhos de casais separados é que o pai (ou a mãe) não se torne uma figura distante. Para isso, o empresário Marcelo Talarico mudou-se de São Paulo para Brasília, para onde a ex-mulher se mudara levando os filhos Marco Antônio, de 11 anos, e Gabriel, de 9. Há dois anos na nova cidade, Talarico busca os meninos na escola quase todos os dias, leva-os ao futebol de salão três vezes por semana e alterna os sábados e domingos com a mãe. Marco e Gabriel dão o troco em alegria e carinho, mostrando quanto prezam a convivência com o pai. ''Adoram a escola e são muito responsáveis'', elogia Marcelo, que optou por um relacionamento franco com os meninos. ''Eles me perguntam tudo: sobre o divórcio da mãe deles, sobre algum tipo de desgaste que de vez em quando acontece. Procuro deixar tudo claro e mostrar que eles são sempre o mais importante'', diz.

A terapeuta Maria Teresa Maldonado diz que hoje o estudo de família não trata mais os filhos de pais separados como problemáticos em potencial. ''Qualquer organização familiar, de casal casado ou separado, pode ser harmônica ou desarmônica. O que determina isso é o nível de conflito'', afirma. Claro, não é sempre que tudo vai às mil maravilhas. Muitos pais e mães separados costumam verbalizar sua raiva do ex-cônjuge na frente da criança e às vezes tentam destruir a imagem do outro para o filho. ''Nesses casos, a criança vive o chamado trauma da deslealdade, em que se sente obrigada a tomar partido de um dos pais. Isso, sim, afeta sua auto-estima e segurança'', diz.

Para Elaine Nazareth, o cabo-de-guerra em torno de guarda e visitação é o que de pior pode acontecer para a criança cujos pais estão se separando. ''Quem tenta afastar a criança do convívio com o outro pode acabar perdendo a confiança do filho. É o chamado efeito bumerangue'', diz. Esse problema geralmente aparece quando a ex-mulher tenta impedir ou atrapalhar a visita do ex-marido. ''A atitude hostil de uma mulher em relação ao pai é percebida pela criança, que muitas vezes é atraída para o outro lado. As mães devem ter uma visão de longo prazo ou se arrependerão no futuro'', diz a terapeuta, que já cansou de ver crianças cujas mães impediam a presença do ex-marido preferirem morar com o pai ao se tornarem adolescentes.


PAIS UNIDOS - Ao ter que brigar na Justiça para conseguir mais tempo com o filho Lucas, o fotógrafo mineiro Rodrigo Dias criou uma associação para discutir e defender os direitos dos pais separados.


DIFERENTE - Ana Paula, com Paulo e Ana Maria: Há 25 anos, era a única na turma e no prédio a ter os pais separados: "Acho que muita gente me olhava com pena, mas, com a amizade deles, superei", diz.  

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Nos anos 70, alguns colégios recusavam filhos de pais separados

Segundo pesquisa da PUC-RJ, 71% dos jovens universitários com pais separados continuam querendo casar

Além de uma convivência harmônica entre o casal - que deixou de ser marido e mulher, mas ainda é pai e mãe -, outro ponto importante é desviar a criança o menos possível de sua rotina antes da separação. Há muitos homens que, ainda casados, são verdadeiros pais de fim de semana e, depois da separação, decidem brigar por igualdade de convívio. Muitas vezes a criança, especialmente se for pequena, não vai querer ficar com ele.

Para garantir a convivência com ambos, tem ganho terreno no Brasil a guarda compartilhada. O assunto é alvo de três projetos de lei no Congresso Nacional. Nesse tipo de guarda, pais e mães dividem igualmente direitos e deveres. ''Não significa que a criança deverá ter um convívio exatamente igual entre os pais. Cada um tem seu trabalho e sua disponibilidade. O que a guarda compartilhada institui é que qualquer decisão relativa à criança não pode ser unilateral'', diz o advogado de família Paulo Lins e Silva. Uma vez sancionado o projeto, ele será incluído no Código Civil e juízes deverão tratá-lo com prioridade nas sentenças de divórcio. O atual Código Civil não é claro sobre a guarda, diz apenas que fica com a criança o cônjuge que tiver ''melhores condições''. Já a Lei do Divórcio, de 1977, dá prioridade à figura materna.

As mães têm a guarda em 91% dos divórcios concedidos no Brasil. Só quando o juiz considera que a mãe tem problemas sociais ou emocionais graves perde a guarda do filho - como foi o caso da atriz Vera Fischer, que há cinco anos tenta na Justiça reaver a guarda do filho Gabriel, de 12, hoje responsabilidade do pai, o também ator Felipe Camargo. O cenário totalmente favorável às mães reproduz a tradicional idéia de que crianças são espaço da mulher, e acaba dando margem para que filhos acabem sendo usados como moeda de negociação e instrumento de vingança - sempre prevalecendo a idéia de que cabe à mãe criar e ao pai pagar.

O governo federal quer aprovar o projeto da guarda compartilhada de autoria de Tilden Santiago, deputado federal pelo PT e hoje embaixador do Brasil em Cuba. Ele tem apoio de políticos importantes como o governador de Minas Gerais, Aécio Neves - ele próprio um descasado. Há juízes que se antecipam ao projeto e já concedem a guarda compartilhada. ''A sociedade muda e a lei tem de acompanhar'', diz o advogado Francisco José Cahali, diretor do Instituto Brasileiro de Direito de Família (Ibdfam). Há nove anos atuando em varas de família de Curitiba, a juíza Lenice Bodstein é conhecida pela defesa da causa e coleciona sentenças que dão a guarda aos dois. ''De acordo com a Constituição, o poder familiar é igualitário durante o casamento. É injusto que na hora do divórcio o pai passe a mero coadjuvante'', diz a juíza.

Com o objetivo de defender os direitos dos pais e discutir questões relativas aos filhos, foram criadas associações como a Associação de Pais Separados (Apase) - www.apase.org.br -, com representantes em todo o Brasil, e a Participais (www.participais.com.br), de Brasília. Em Belo Horizonte, o fotógrafo Rodrigo Dias criou a Pais para Sempre depois que teve de ir à Justiça brigar por seu direito de conviver mais com o filho Lucas, hoje com 9 anos. O conflito foi superado com a participação do próprio menino, que manifestou seu desejo de estar mais com o pai. Hoje, a situação tranqüila fez de Lucas um menino inteligente e curioso, um dos melhores alunos da turma.

O analista de sistemas Kléber Cruz, de 33 anos, de Brasília, tem a guarda compartilhada da filha Luíza, de 5, com a ex-mulher. Como conseqüência, tem enorme convívio com a menina: dois dias durante a semana e fins de semana alternados. ''Como não ficamos juntos sempre, o tempo que passo com minha filha é só dela, tem muito mais qualidade do que quando eu era casado'', diz Kléber. Por coincidência, sua atual mulher, a advogada Deirdre Aquino, também divide a guarda da filha, Dara, com o ex-marido. Hoje Dara e Luíza, unidas como irmãs, são crianças seguras e felizes, com extrema facilidade de convívio social, o que é sempre destacado nas reuniões escolares.

Segundo pesquisa recente da Escola de Profissionais de Psicologia da Califórnia, crianças cuja guarda é dividida entre os pais têm ego e superego mais forte e maior auto-estima que as crianças que têm convívio freqüente apenas com um dos pais. As crianças que têm ambos participando de sua rotina apresentam menos agressividade e impaciência. O nível de felicidade e satisfação dessas crianças é idêntico ao das que vivem em lares intactos e harmônicos, o mesmo ocorrendo em relação ao desempenho escolar.

Nem sempre esse cenário esteve apenas nas mãos do casal que se separa. Houve um tempo em que o preconceito era forte e resvalava na criança. Algumas escolas nem sequer aceitavam matrícula de filhos de pais separados. Até os anos 70, quando os casos de divórcio começaram a aumentar, era comum pais afastarem seus filhos de crianças cujos lares haviam sido desfeitos. ''Ainda hoje há preconceito em alguns lugares, como cidades pequenas e bairros conservadores'', diz Maria Teresa Maldonado. A administradora de empresas carioca Ana Paula Latini, de 35 anos, viveu a separação dos pais quando tinha apenas 11, nos anos 70. Era a única da turma da escola cujos pais não eram casados. A mesma coisa acontecia com seu grupo do prédio. Sofreu por ser diferente, mas a dedicação dos pais a fez superar possíveis crises. Sempre fez questão de manter o convívio com o pai, Paulo, bancário. Durante toda a sua adolescência, ao sair do trabalho, Paulo passava na casa da ex-mulher, nem que fosse só para dar um beijo na filha. ''A idéia de que ele continuava na minha vida e que eu sempre poderia contar com ele foi decisiva'', diz Ana Paula.


NOVA FAMÍLIA
Deirdre com a filha Dara, e o marido, Kléber, com sua Luíza: ambos dividem a guarda das meninas com os ex-cônjuges e defendem a partilha de direitos e deveres

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Segundo as pesquisas, crianças que convivem com pai e mãe têm maior auto-estima do que as que são ligadas apenas a um deles

A tradutora Renata Cunha, de 33 anos, tinha apenas 10 quando os pais se separaram. Garante que nunca teve traumas. Ao contrário. ''Acho que ver como eles ficaram bem depois do divórcio me ajudou a encarar o casamento e os relacionamentos afetivos com mais leveza. Sei que, se tudo acabar, ninguém vai morrer por isso'', diz Renata, casada e mãe de Pedro, de 5 anos.

Segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Psicologia da PUC-RJ no ano passado, apesar do aumento dos divórcios no país, 86% dos jovens universitários de classe média querem casar, sendo que 75% acreditam que viverão com a mesma pessoa para sempre. E o porcentual se mantém entre os filhos de pais separados: 71%, uma diferença apenas ligeiramente maior que a margem de erro da estatística. A pesquisa deixa claro que o divórcio dos pais não influi decisivamente nos desejos e nas expectativas afetivas dos filhos, e que é possível encontrar felicidade nas experiências individuais. Não à toa uma frase é repetida pelos terapeutas da área: a separação não acaba com a família, apenas a transforma.

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Como lidar com os pequenos na hora da separação

= Mesmo que os filhos tenham assistido a brigas dos pais, na hora da separação deve-se manter a calma

= Os dois, juntos, devem se reunir com os filhos para informá-los da decisão. Mesmo que sejam pequenos é possível contar uma história que ilustre o que aconteceu

= O mais importante é deixar claro que continuarão a ser pai e mãe, apesar de não mais casados. Mostrem sempre respeito um pelo outro e digam que serão sempre amigos

= Expliquem que a rotina das crianças vai mudar, mas que continuarão a conviver com pai e mãe, na casa de cada um

= É importante que os filhos saibam que terão seu espaço na casa do cônjuge que sair

= Os pais devem permitir que os filhos se manifestem sobre a separação, mesmo que de forma triste ou agressiva, e explicar exaustivamente a decisão

= Filhos que agem muito tranqüilamente à decisão muitas vezes escondem seus verdadeiros sentimentos, o que pode ser prejudicial num futuro próximo. Os pais devem puxar assunto com eles

= Fazer com que avós, tios ou outros adultos de confiança também conversem com as crianças sobre a separação pode ajudar

= Importante deixar claro, o tempo todo, que os filhos não têm nenhuma culpa em relação ao divórcio

= Façam referência a crianças conhecidas que vivem a mesma situação, para que não se sintam diferentes ou inferiores

= A escola e outros lugares onde as crianças exercem atividades devem ser informados da separação, para que observem possíveis mudanças de comportamento

= Uma vez separados, os pais não devem utilizar as crianças como mensageiras de recados

= Não é bom discutir questões como dinheiro ou regras de visitação diante das crianças, especialmente se houver algum tipo de discordância sobre o assunto. É recomendável debater essas questões em outro momento

= É importantíssimo não falar mal do ex-cônjuge na frente dos filhos, seja em que momento for

= Se, no início, as crianças manifestarem algum desejo de não ficar na casa do pai ou da mãe que tiver saído de casa, é bom respeitar sua vontade. Mas insistindo para que haja uma rotina de convivência com os dois. Isso garante que elas tenham pai e mãe como referência emocional

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O que os filhos de pais separados sabem a mais que os outros

Ruptura - A experiência de passar pela separação dos pais e administrar o impacto emocional disso leva as crianças a amadurecer seu papel na família

Relativização - Quando os pais convivem bem, o filho acaba tendo dois lares. São casas diferentes, com ambientes e regras internas distintas. Torna os filhos mais flexíveis

Maturidade - Os filhos acabam tendo proximidade com mais adultos - padrastos, madrastas, namorados dos pais. Convivem mais cedo com assuntos e problemas de gente grande

Companheirismo - Muitas vezes têm mais atenção dos pais, já que o convívio parcial promove um desejo de maior qualidade do tempo juntos. Também desenvolvem maior cumplicidade

Amor - Tendem a não idealizar casamento e família tradicionais, o que pode ajudar nos relacionamentos afetivos futuros

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O QUE É A GUARDA COMPARTILHADA?
É quando pais e mães divorciados dividem direitos e deveres relativos aos filhos. Guarda compartilhada não significa necessariamente que haja convivência igualitária entre os filhos, mas sim que toda e qualquer decisão sobre eles deve ser conjunta

COMO ESTÁ NO BRASIL
Não consta do novo Código Civil, que entrou em vigor em 2002. Em casos de separação amigável, cada vez mais juízes têm dado a guarda compartilhada a pais separados que assim desejam. Projeto de lei no Congresso pode incluí-la como prioridade nas separações, consensuais ou litigiosas

PARA QUE SERVE O MEDIADOR?
É um profissional escolhido pelo juiz para ajudar nas negociações. Pode ser um psicólogo, assistente social ou mesmo um juiz que atue como mediador. Ele é mais importante nos casos de guarda compartilhada.

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Madrasta do bem

Professora lançou livro que ensina o caminho para ser uma boa madrasta

 

Madrastas, assim como padrastos, são personagens quase sempre presentes na vida dos filhos de pais separados. Ao contrário do que apregoam histórias infantis como Branca de Neve e Cinderela, o convívio destas com seus enteados pode ser uma experiência não só bem resolvida como prazerosa. Há dez anos a professora paulista Roberta Palermo, de 35, começou a namorar o pai de duas crianças. Eles se casaram e ela se viu no difícil papel de ajudar a cuidar dos meninos. A partir de sua experiência, lançou o livro Madrasta - Quando o Homem da Sua Vida já Tem Filhos, criou um site e organizou a Associação de Madrastas e Enteados (AME), que tem feito encontros em São Paulo para discutir o tema.

 

ÉPOCA - Quais são os segredos para ser uma boa madrasta?
Roberta Palermo -
Primeiro de tudo, deixar de lado qualquer tipo de ciúme. Quem tem direito a ter ciúme são a crianças. É preciso se colocar no lugar delas e também, se possível, no lugar da ex-mulher. É difícil para todos, não só para a madrasta.

 

ÉPOCA - Quais são os erros mais comuns?
Roberta -
Muitas mulheres falam mal da mãe das crianças na frente delas, ou mesmo para elas, o que é inconcebível. Mesmo que seja de forma indireta, a criança tem sensibilidade, percebe o clima hostil.

 

ÉPOCA - Madrasta deve dar bronca na criança ou só o pai?
Roberta -
A madrasta pode falar se as regras na casa dela forem diferentes das da casa da mãe das crianças. Isso as faz saber que haverá ambientes diversos ao longo da vida. É melhor, porém, que o pai inicialmente oriente a companheira sobre essas regras. Até para não ouvir depois a famosa frase: ''Você não manda em mim!''. 

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