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Diário do Nordeste - 01 outubro 2005

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IGUALDADE PARENTAL
Pais desconhecem a guarda compartilhada
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Defender o direito da criança contar com a presença do pai e da mãe em sua vida, mesmo depois da separação do casal, foi um dos pontos discutidos durante a realização da IV Semana de Igualdade Parental, realizada de 26 a 30 de setembro em todo o Brasil. Em Fortaleza, a semana foi encerrada ontem com atividades na Praça do Ferreira, promovidas pela Associação de Pais e Mães Separados (Apase) - seção Ceará.

A palavra-chave para tratar de igualdade parental é guarda compartilhada. Muitos pais ainda desconhecem seus direitos, e a própria Justiça não facilita a concessão de guarda conjunta, ampliação de visitas ou qualquer outro requerimento jurídico que represente uma maior participação da figura paterna na vida da criança.

Como destaca o presidente da Apase-Ceará, Eduardo Chaves, a semana teve como objetivo divulgar a existência e importância da guarda compartilhada para o desenvolvimentos dos filhos de pais separados.

Eduardo Chaves destaca que a sociedade privilegia a mãe nas relações familiares, como se apenas ela fosse responsável pelo filho, quando, na verdade, há pais que querem participar da educação das crianças e são impedidos pela morosidade da Justiça.

A ausência da figura materna ou paterna no convívio com a criança pode trazer vários prejuízos psicológicos a ela, assim como a sobrecarga de responsabilidade com o filho pode provocar distúrbios emocionais no pai ou na mãe.

A realização da Semana teve também como meta a sensibilização dos juízes, advogados, médicos, psicólogos, professores e todos aqueles que têm contato com crianças e pais. Assim, eles poderão ressaltar os benefícios da guarda compartilhada.

O presidente da Apase explica que os pais, quando querem se aproximar dos filhos e pedem uma ampliação do número de visitas, esperam até anos por uma resposta da Justiça.

Ele avalia que com a popularização do sistema de guarda compartilhada, esse processo não será tão demorado. A legislação brasileira assegura esse direito aos pais e cabe a eles se interessarem pela educação do filho, saúde, crescimento e vivências. Não basta ser o provedor, com o pagamento de pensão, mas alguém com quem o filho e a mãe possam contar.

“A criança não pode perder a referência de pai e mãe”, diz Eduardo Chaves. Todas essas implicações da guarda compartilhada foram discutidas durante a semana, mas o assunto não será encerrado. A Apase pretende continuar com ações constantes, chamando a atenção do poder público e da sociedade para a importância dos pais separados, mas presentes.

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