Diário de Petrópolis, RJ, 04-12-2005

Guarda compartilhada pode reduzir traumas

Diante de grande número de divórcios e das conseqüências psicológicas que eles trazem para os filhos de casais divorciados, especialistas sugerem a guarda compartilhada para diminuir os danos causados nas crianças. Essa maneira de acordo ainda é pouco difundida, mas já vem sendo recomendada por advogados e psicólogos para os pais divorciados.

 

Solução para atenuar traumas

Casal deve pensar no que é melhor para a criança

Apesar de ainda ser uma prática pouco difundida na sociedade, a guarda compartilhada dos filhos pode ser uma boa solução para atenuar os traumas causados nas crianças pela separação dos pais. Para o presidente regional do Conselho Tutelar, Agnes Dalzini, esse tipo de guarda é o melhor para a criança, que na maioria das vezes se vê perdida após a separação dos pais. "O casal maduro e responsável, deve deixar de lado as mágoas e pensar no que é melhor para a criança", diz Dalzini.

Mas de acordo com a psicóloga da segunda Vara de Família, Marta Baimes Machado da Costa, na maioria das vezes, durante o processo de separação, as pessoas não conseguem ter o equilíbrio emocional necessário para lidar com a situação.

Entre os psicólogos as opiniões são divergentes, alguns são favoráveis à aplicação da Guarda compartilhada, outros são mais conservadores. "A aplicação deste tipo de guarda deve ser avaliada caso a caso. Em algumas situações ela é muito viável.Mas o casal deve ser maduro para que a guarda compartilhada já se transforme em ponto para maiores conflitos", disse.

A psicóloga explica que em tese o melhor para a criança é continuar convivendo com o pai e com a mãe, mas lembra que nem todo casal tem maturidade para lidar com isso. "Decisões, como a escola em que a criança vai estudar, podem se transformar em conflitos se houver desavenças entre os pais", alerta.

A psicóloga entretanto admite que, em alguns casos, a guarda compartilhada chega a ser sugerida aos pais e ao juiz em relatórios de avaliação. "Alguns juízes acreditam que esta seja a melhor forma, mas a maioria deles prefere adotar a guarda única com visitação livre daquele que não detém a guarda", explica.

Segundo o advogado Leonardo Almeida de Souza, a questão da guarda compartilhada é tímida em Petrópolis. "A Associação de Pais e Mães Separados (Apase) vem levantando esta bandeira na cidade, mas acredito que a questão se tornará mais ampla com a aprovação do projeto que quer incluir esta modalidade de guarda no Código Civil", disse.

Para orientar pais e mães interessados em saber mais sobre a guarda compartilhada, a Apase lançou recentemente o livro "Guarda compartilhada - aspectos jurídicos e psicológicos", que traz informações claras sobre temas como o processo de readaptação familiar após o divórcio ou rompimento de união estável onde existam filhos, entre outras orientações. Mais informações podem ser obtidas no site www.apase.org.br.

 

 

 

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