Folha de São Paulo - Edição de 9 de agosto de 2008

Perto dos dois

Crianças contam como é o dia-a-dia de quem tem pais separados

 

Paula Lago

 

Amanda conversa com o pai, Analdino, Presidente da APASE, por telefone e pela internet, mas sempre que dá o visita.

 

Pai para um lado, mãe para o outro, e o filho, como fica? Em geral, quando os pais se separam, a criança fica com a mãe e só vê o pai de 15 em 15 dias. Mas não precisa ser assim.

Uma lei, que passa a valer a partir da semana que vem, mostra uma outra forma de lidar com filhos de pais separados que alguns ex-casais já usam: a responsabili- dade sobre o filho não tem que ser só da mãe.

O nome é complicado, "Guarda Compartilhada", mas é fácil de entender, é que o pai também pode estar mais pertinho do dia-a-dia do filho, em vez de só levá-lo para passear e brincar no fim de semana.

Os irmãos Vinícius Mendonça Costa, 9, e Otávio, 6, passam parte da semana na casa da mãe, Ana Tereza Toni, e a outra parte, na casa do pai, Gilberto Costa. Quando é dia de estar com a mãe, surpresa! Quem vai buscar as crianças na escola é o pai, e vice-versa. Assim, diz Ana, "nos vemos todos os dias".

Vinícius gosta do esquema: "E bom ter duas casas, a gente tem tudo em dobro e mais amigos diferentes". E se fosse para ver o pai só às vezes? "Eu iria ficar com saudade, querer saber como ele está. E ele também."

Mas Otávio prefere a casa da mãe. "Ele pergunta sempre se é dia de ir à casa dela", entrega o irmão.

Os pais de Amanda Marciano Rodrigues Paulino, 10, também são separados, mas ela não fica mudando de casa. Ela mora com a mãe em Goiânia (GO) e o pai dela vive em São Paulo.

Mas, graças ao "kit" MSN, Skype e telefone, eles se falam todos os dias. "Meu pai não pode vir para cá direto, mas, assim, me ajuda nas lições, tira as minhas dúvidas. E divido as coisas da minha vida com os dois, porque eu não amo só um deles", conta.