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A separação do casal e as conseqüências dos tipos de guardas na vida dos filhos

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No atendimento psicológico à crianças, é comum nos depararmos com sintomas que tiveram origens na separação dos pais. Na grande maioria, os sintomas apresentados são: dificuldades cognitivas, ansiedade, agressividade e depressão. Tais sintomas aparecem - não devido ao casamento desfeito e ao fato da criança conviver com pais separados - mas sim pela falta que faz o progenitor que não detêm a guarda, seja o pai ou a mãe. Esta ausência na vida do filho, se dá muitas vezes, face a uma separação mal feita, seguida pelo estabelecimento de uma guarda, que de longe atende as necessidades do menor.

O tipo de guarda mais comum é aquele que segue a jurisprudência dominante, que é a guarda exclusiva da mãe e visitas quinzenais pelo pai em finais de semana alternados.

No entanto, este tipo de guarda priva a criança do contato com um dos pais, pois quinze dias para uma criança é muito tempo - o tempo cronológico da criança é muito diferente do de um adulto, uma semana para a criança pode corresponder a um mês para o adulto - tempo suficiente para gerar na criança o medo de abandono, e o desapego com progenitor que não detém a guarda, trazendo á criança, conseqüências psíquicas desastrosas, dado o papel determinante da presença do pai e da mãe na estruturação psíquica do menor.

É nesta ótica que a guarda conjunta ganha seu espaço, pois ela diminuiria o tempo de ausência dos pais, e lhes permitiria um contato direto, tanto quanto necessário, garantindo à criança a presença constante de ambos os pais em suas vidas, e por conseqüência, uma boa estruturação psíquica.

Numa separação, é inevitável o desgaste e ansiedades pertinentes aquele momento. No entanto, querer deixar as crianças de fora, é tirá-las do contato com a realidade, e deixar que as suas fantasias se multipliquem, trazendo muitas vezes danos maiores que a realidade posta. A criança só tem a crescer e amadurecer, ao passar pelas angústias próprias do momento, tendo seus pais ao seu lado para ajudar a passar por essa fase.

O conflito suscitado por uma separação, nos pais e filhos, é algo que precisa ser enfrentado por todos, e necessita-se um tempo para a sua elaboração. No entanto, tanto quanto os pais, as crianças precisam ter contato com ele, vivenciando assim a realidade que ele impõe, visto que os conflitos são inerentes ao ser humano.

Um equívoco, que leva a guarda exclusiva ou a compartilhada com a criança residindo numa só casa, é pensar que o menor  perderia o referencial de lar. No entanto, o referencial a não ser perdido é em relação aos pais. A criança filha de pais separados vai se adaptar a nova vida, criar o vínculo com duas casas. Permitir à criança o convívio com pai e mãe, vai deixá-la segura, e o medo do abandono não terá espaço, resultando em crianças que se adaptarão bem a situações novas, que poderão lidar com frustrações e limites. Torna-se imprescindível que ela se adapte com o fato de ter duas casas, pois esta é a realidade posta: seus pais têm cada um a sua casa, e continuam sendo seus pais. Logo, ela tem duas casas.

 A criança amada, que confia nos pais, consegue administrar bem sua nova rotina, e tem condições internas suficientes para esta adaptação, pois seu ego já está devidamente estruturado. Privar os pais ou um deles de estarem presentes no dia a dia da vida dos filhos, é traçar para estes o pior dos prognósticos.
 

Evandro Luiz Silva – CRP 12/01835 – e-mail: silvaevandro@hotmail.com

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